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Caiu uma bigorna na sua sala?

Pela primeira vez, em 13 anos, ouvi meus vizinhos de porta gritarem. Parece que foi algo com o tapete. Diz que sem a possibilidade de uma ajudante, os dois se atracaram na limpeza do monumento. Eis que na primeira virada encontraram uma poeira monstra, antiga que só. Treta armada. Ele bateu porta, ela bateu janela. E foi forte! Quase fui lá oferecer ajuda. Melhor não. Meu aspirador é bom, mas ele só aspira. Não faz mágica. Não resolve o real, o outro vírus que a pandemia trouxe para a vida das pessoas, e que faz até barulho: plim! O som da ficha caindo.

O mesmo real que chegou forte na casa da outra vizinha, a do terceiro andar e que tem duas filhas divertidas (um jeito alegre de dizer bagunceiras). Até então as meninas viviam naquele esquema casa mãe – casa pai. Uma semana lá, uma semana cá. Sendo lá uma interrogação e cá uma exclamação. Um ajuste certo e firme que nem palanque no banhado.

Acontece que a pandemia fez pular das profundezas do lamaçal aquilo que sempre esteve lá: a falta { de diálogo e empatia } entre os pais. Elas precisam de segurança. Eles precisam trabalhar. E o palanque de babel lá, prestes a afundar. Tudo registrado nos corredores do meu condomínio. Sabe como é, o banhado faz barulho e deixa pegadas. Tá aí um bom tema para uma coronalive: sons & fúrias, em condomínios de pandemia. Uma boa oportunidade para apresentar a minha lista secreta de ruídos coletados até agora. Top 10 são: angústia, cansaço, intolerância, medo, lata de cerveja abrindo, choro de criança, ameaças, indignação e muitas e muitas bigornas caindo no meio das salas. Ah, e tem também o som da TV ligada 24 horas no covidchannel.

Outro dia até tive vontade de escrever uma carta convite para cada condômino. Algo do tipo: “Querido vizinho. Querida vizinha. Sabemos, não está fácil. O trem covid está passando pelo trilho, esbaforindo a fumaça da urgência aos cantos e barrancos. Sem placas indicativas e com muita louça para lavar, sofremos ruidosamente. Ouvimos a tudo e a todos, menos a nós. Então hoje, logo mais às 22h22, junte-se a mim, na festa do silêncio. Escolha o melhor lugar da sua casa e tire a roupa das suas versões já muito conhecidas e batidas. Respire, experimente um pensamento de generosidade e responsa a pergunta: o que é verdadeiramente essencial neste momento? Depois, brinque de mímica. E quando retornar ao barulho, digo, às conversas, faça uso de palavras ou ações que possam gerar acolhimento, como por exemplo: afeto, colaboração, pudim ou chocolate.” Imagina se eles topassem?

 

Escrito por:

Waldirene Dal Molin é escritora e advogada atuante nas Práticas Colaborativas: um modelo inovador de prestação de serviços jurídicos que é executado por meio de um procedimento voluntário e respeitoso de solução de conflitos, sem recurso ao judiciário.

waldirene@drl.adv.br
linkedin.com/in/waldalmolin

 

Quer saber mais? Comece por aqui @stucolaborativo (um perfil do instagram, objetivo e atualizado, sobre as Práticas Colaborativas em Curitiba-Pr.) ou por aqui praticascolaborativas.com.br (site do Instituto Brasileiro de Práticas Colaborativas (IBPC) ou ainda, por aqui @advocaciacolaborativaparana (instagram da Comissão de Advocacia Colaborativa da OAB/PR).

 

* As ideias aqui não correspondem aos fatos, pois eles são pura ficção.
** Para melhor compreensão procure: www.expressãoanos80.que.entrega.a.idade.da.autora.br


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