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Não tropece na língua – confira a 2ª publicação

Saber se comunicar e escrever bem é essencial para todos, especialmente para síndicos e administradores de condomínios. Pensando nisso, a coluna ”Não tropece na língua”, da Professora Maria Tereza Q. Piacentini, passa a fazer parte do nosso site. Todo mês uma nova publicação sobre a língua portuguesa.

Confira:

2 − O MESMO

Embora possa ser relativamente comum em outros idiomas, no português do Brasil o uso de ”o mesmo” no lugar de nomes e pronomes é considerado indevido e até inconveniente. A palavra mesmo pertence a diversas categorias gramaticais e seu emprego é absolutamente correto nas seguintes situações:

A.  Como adjetivo/pronome (portanto variável), com o sentido de ”exato, idêntico, tal qual, próprio, em pessoa”:

1. Foi pelo mesmo caminho.
2. Sou sempre a mesma pessoa.
3. Eles mesmos redigiram o discurso.

B.  Como advérbio (portanto invariável), com o significado de ”justamente, até, ainda, realmente”:

4. É lá mesmo que vendem o produto.
5. Estes remédios são mesmo eficazes.
6. Há mesmo necessidade disso?

C.  Como conjunção concessiva, equivalente a ”embora, apesar de”:

7. Mesmo diante de tais alegações em sede de reconvenção e contestação, o apelado quedou-se silente, reforçando ainda mais a veracidade delas.
8. Sendo assim, mesmo inexistente a cláusula resolutória, com o inadimplemento do outro contratante a parte lesada pode requerer a resolução do acordo.

D.  Como substantivo (expressão invariável, no masculino), significando ”a mesma coisa”:

9. Fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.
10. Houve incidência de juros legais a partir da citação e correção monetária a contar do ajuizamento do pedido, o mesmo acontecendo em relação às despesas processuais e custas derradeiras.

O problema está em usar ”o mesmo” no lugar dos pronomes pessoais, sejam do caso reto (ele/ela) ou do caso oblíquo (o/a, lhe). Isso indica pobreza de linguagem ou falta de familiaridade com os pronomes pessoais. Algumas vezes − imagino − a pessoa tem insegurança no trato com os pronomes, mas ao mesmo tempo quer evitar a repetição de um determinado substantivo, então coloca o mesmo (ou a mesma, se feminino) no seu lugar.

Observe que nos exemplos 1 e 2, acima, mesmo acompanha um substantivo − não o substitui. No exemplo 3 acompanha um pronome. Em 4, acompanha um advérbio. Em 5 e 6, um adjetivo. Em nenhum bom exemplo a palavra mesmo toma a vez do substantivo.

É mais uma questão de estilo do que de gramaticalidade. Digamos então que fica ruim, ou não convém, escrever da forma abaixo:

*Deixou de constar a declaração do condutor do veiculo pelo fato de o mesmo estar hospitalizado sem condições de prestá-la.
*Registra o parecer técnico que Valente abandonou a esposa e filhos por diversas vezes, sendo que a mesma mudou-se de Estado.
*Ontem vi meu ex-chefe e convidei o mesmo para um cafezinho.
*Já que o secretário executivo esteve nos visitando, entregamos ao mesmo a documentação.
*Busque as fichas no almoxarifado e verifique se as mesmas estão carimbadas.
*Desejando rever o conteúdo jurídico do projeto, solicito o mesmo retirado de pauta.

     Em melhor português você diria assim:

Deixou de constar a declaração do condutor do veiculo pelo fato de ele estar hospitalizado sem condições de prestá-la.

Registra o parecer técnico que Valente abandonou a esposa e filhos por diversas vezes, sendo que ela mudou-se de Estado.

Ontem vi meu ex-chefe e o convidei para um cafezinho.

Já que o secretário executivo esteve nos visitando, entregamos a ele [ou entregamos-lhe] a documentação.

Busque as fichas no almoxarifado e verifique se [elas] estão carimbadas.

Desejando rever o projeto, solicitou seja [ele] retirado de pauta.

Este conteúdo está disponível no Livro: Não tropece na língua – lições e curiosidades do português brasileiro  

Confira a publicação n.1 desta coluna, clique aqui.

 

Sobre o autor   
                        

Não tropece na língua - lições e curiosidades do português brasileiro

Maria Tereza de Queiroz Piacentini

Catarinense, é licenciada em Letras (Português e Inglês), com Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC.

Atualmente ministra cursos de português, revisa livros – incluindo revisão técnica de traduções do inglês e francês – e, como diretora do Instituto Euclides da Cunha, sediado em Curitiba/PR, é responsável pela consultoria de português e pelos textos do portal www.linguabrasil.com.br .

 


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