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O que não fazer quando o imóvel é comprado para aluguel ou revenda

Móveis personalizados, itens caros, paredes coloridas e com textura podem dificultar a liquidez

 

Ao comprar um imóvel para investir, seja com a intenção de vender ou disponibilizá-lo para aluguel, muitas pessoas apostam na decoração para valorizar o seu produto. Pintam paredes com suas cores favoritas, revestem com pisos que julgam bonitos, escolhem móveis. Tudo isso para agradar o futuro comprador ou inquilino e, é claro, lucrar mais. O que nem todos sabem é que alguns tipos de “investimento” podem ser um tiro pela culatra e dificultar a liquidez. Segundo especialistas do mercado, o ideal é optar pelo branco e apostar, sim, em itens básicos, mas sem exageros a ponto de afastar os interessados.

Piso frio e parede em tons claros são ideais para locação ou venda. Os novos donos podem usar cortinas, tapete e móveis coloridos para decorar a casa

— No mercado, a gente fala do ‘kit locação’ para ter maior liquidez, que são armários embutidos (pelo menos na suíte), gabinetes nos banheiros e blindex no box — afirma Edison Parente, vice-presidente comercial da Renascença Administradora, acrescentando que, para locação, além dos tons neutros, o mais indicado é o piso de porcelanato, e deve-se evitar mobília e itens caros. — O imóvel mobiliado restringe muito o público porque a maioria dos interessados já tem os seus próprios móveis. Outra questão que dificulta e não vale a pena investir é colocar itens muito caros, pois caso precisem de conserto, sempre há divergência. O dono diz que o defeito foi causado pelo mau uso do produto e o inquilino, por sua vez, alega que não tem culpa — completa.

Sandro Santos, diretor da Sawala Imobiliária, conta que no Rio há muitos casos de donos de imóveis que investem muito capital para deixar a residência mais bonita, mas, que no final, acabam limitando a venda e diminuindo a liquidez.

— Não é aconselhável mobiliar, exceto se há intenção de alugar por temporada. Na locação convencional, sempre indico itens básicos. Às vezes, a pessoa investe alto, coloca uma parede pintada de vermelho e depois não consegue alugar, porque cada um tem um gosto e esta produção tão específica limita o público.

Já em relação à venda, Santos defende que é preferível não investir, por exemplo, em armários e baixar um pouco o preço, pois quem vai comprar pode já ter o seu ou querer mudar a planta.

Para a arquiteta Bianca Da Hora, colocar ou não armários depende do tipo de projeto e perfil:

— Se for um apartamento de até 100 metros quadrados, não coloco, pois não agrega valor. Mas se for acima desta metragem, aí muda o perfil e vale a pena — diz ela que, também, acredita não ser um bom negócio investir em ornamentos quando o objetivo é lucrar. — Quando você vai investir para vender, significa que se quer o maior lucro possível. E estes itens de decoração não agregam. Pelo contrário, gasta-se e não aumenta em nada o ganho final.

Já para quem vai alugar e não quer mexer na estrutura da casa, Bianca recomenda que se recorra aos papéis de parede, móveis contemporâneos, espelhos e cortinas.

— Assim como comprar um imóvel simples e investir pesado na decoração diminui a liquidez, adquirir um apartamento ou casa enorme e colocar armários simples, um aparelho de ar-condicionado velho e esquecer do blindex no box também retarda a venda ou locação — finaliza Parente.

O que não fazer na decoração quando o imóvel é para investimento:

– paredes coloridas ou com texturas

– pisos específicos, como carpete

– móveis personalizados

– itens caros, como TVs e aparelhos de ar-condicionado

Se for investir, prefira:

– branco na parede, sempre. No máximo, tons neutros

– piso de porcelanato

– blindex no box do banheiro

– bancada para o banheiro

– armários embutidos (indicado apenas para locação e de imóveis maiores)

Fonte: O Globo

 

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