Notícias Manutenção Interna

Anuncie aqui

Por que é tão importante controlar o pH e a alcalinidade da água de piscina?

Em meio a tantas propriedades a serem corrigidas e monitoradas no que tange águas de piscina, sem dúvidas o pH e a alcalinidade total são as mais conhecidas e que mais causam impacto nas reações químicas envolvendo compostos clorados.

 

Potencial hidrogeniônico, ou ainda pH, é a medida de íons hidrônio (cátions de hidrogênio) presentes em solução. É uma medida logarítmica de base 10 que nos mostra o quão ácido, neutro ou básico uma solução se encontra. Essa escala vai de 0 a 14, sendo que entre 0 a 6,9 temos solução ácida; 7,0 neutra e entre 7,1 a 14, caráter básico.  De forma clara, pode-se dizer que uma solução com pH 6 é 10 vezes mais ácida que uma de pH 7, e 100x mais ácida que de pH 8.

Para nos guiar sobre a faixa ideal de pH, temos a NBR 10.818, que discorre sobre qualidade da água, e aponta que para águas de piscina, o ideal é mantê-lo entre 7,2-7,8. Alguns estados e municípios possuem resoluções normativas com valores iguais ou similares a este. Em SC a norma 003/2016, da vigilância sanitária, é a responsável por estabelecer os valores ideias nos requisitos biológicos e físico-químicos. A alcalinidade por sua vez, deve compreender valores que estejam entre 80 a 120 ppm (partes por milhão).

E qual a importância de manter o pH dentro da faixa ideal? Muitas, portanto, listemos:

– os olhos e mucosas do corpo humano, possuem pH próximos da faixa indicada, portanto pH abaixo ou acima dos limites implicarão em ardência, vermelhidão nos olhos e pele dos banhistas;

– pH abaixo do ideal, implica na corrosão dos componentes da piscina, ou seja, vida útil reduzida de máquinas, trocadores de calor, filtros e revestimento do tanque, por exemplo. Já o pH acima implica em incrustações ou depósitos de cálcio, causando ainda, turbidez na água, ressecamento e endurecimentos dos cabelos;

– os produtos de piscina, foram formulados para funcionar em pH e alcalinidade ideal, por isso, nos rótulos dos produtos de piscina lemos como primeira instrução “corrija a alcalinidade e o pH antes de utilizar este produto”;

– A reação de formação do ácido hipocloroso (cloro livre) é acelerada em pH abaixo de 7, porém, isso faz com que o cloro “desapareça” mais rapidamente. Já o pH acima da faixa ideal prejudica a formação do ácido hipocloroso e consequentemente sua ionização, fazendo com que o efeito sanitizante dos compostos clorados fique comprometido, dando oportunidade ao crescimento de microorganismos nocivos.

Já a alcalinidade total é a somatória de carbonatos, bicarbonatos e hidróxidos em solução. De forma simples, serve como tampão para o pH, fazendo com que os valores para tal sejam constantes. Como possui a propriedade de neutralizar ácidos fortes, já podemos presumir que a alcalinidade baixa resultará em água corrosiva e alcalinidade alta, em água com potencial de incrustração e presença de turbidez.

Existem várias outras propriedades de essencial importância para se ter uma água saudável, cristalina e segura para banho, que devem ser analisadas visando sempre o equilíbrio químico.

Como em muitas outras situações em que os síndicos costumeiramente se esbarram, prudência, experiência e conhecimento evitarão muitas dores de cabeça no tratamento de piscinas.

 

Escrito por:

 

Fernanda C. Brietzig – Engenheira química. Mestre em ciência e engenharia de materiais. Técnica em materiais. Atuou em laboratórios de análises químicas, em engenharia e desenvolvimento de produtos. Lecionou para o ensino médio e cursos de engenharia. É sócia proprietária da Quântica Engenharia, onde trabalha com assessoria e responsabilidade técnica, com ênfase em águas de piscina e estações de tratamento.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *