Publicado em 18 de novembro de 2019

30% das queixas de barulho não existem, dizem síndicos

Para tentar contornar o problema, os síndicos apelam para várias táticas.

“Escuta! Escuta! Está ouvindo?”, insistia a moradora de um condomínio de Moema, zona sul paulistana. Mas só havia o silêncio absoluto.

Das 2h às 4h da madrugada, o síndico profissional Aldo Busuletti, 49, se viu sentado no sofá do apartamento da moradora, à espera dos barulhos que o vizinho de cima sempre provocava, segundo ela. Não ouviu nada.

Antes disso, Aldo já havia advertido e multado o morador de cima (R$ 380), atendendo às reclamações incessantes da vizinha. Como não funcionou, decidiu testemunhar os ruídos e se deslocou de Santana, a 14 km de distância, até aquele sofá.                                                                                                   

“Tive que pedir desculpas ao morador de cima, retirar sua multa e converter em advertência para a moradora que sempre reclamava.”

Assim como ele, outros síndicos e administradoras responsáveis por 1.500 dos cerca de 20 mil condomínios na capital paulista ouvidos pela Folha estimam que até um terço das reclamações de barulho –as campeãs em todos os condomínios– sejam fruto da imaginação.

“Acho que a pessoa trabalha o dia inteiro na rua, ouve tanta buzina e agito, que à noite sonha com barulho”, analisa Aldo, que gerencia 37 condomínios da cidade e atua como síndico profissional há 20 anos. “É estresse.”

O psiquiatra Elko Perissinotti, do Hospital das Clínicas da USP, atribui os “ruídos fantasmagóricos” ao “estresse, angústia, depressão e frustrações” das pessoas.

HIDROMASSAGEM

Os barulhos “imaginários” mais comumente ouvidos são o arrastar de móveis ou saltos de sapato batendo no chão, madrugada adentro.

Mas a reportagem ouviu casos que vão de banheira de hidromassagem à TV em volume muito alto.

Há vizinhos que chegam a chamar a polícia ou até brigam fisicamente.

Para tentar contornar o problema, os síndicos apelam para várias táticas. Alguns chegam a inspecionar os apartamentos, em busca da fonte dos barulhos.

Segundo Márcia Romão, gerente de relacionamento da Lello Condomínios, não é incomum que o “reclamão” acabe, ele próprio, multado por perturbação do sossego.
José Roberto Iampolsky,

diretor-geral da Paris Condomínios, diz que, quando o síndico não sabe como resolver o impasse, ele pode convocar uma assembleia extraordinária para que os condôminos julguem, após ouvir os envolvidos.

“No fim, até os dois vizinhos podem ser multados”, explica.

Fonte: Folha de S. Paulo

 

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