Publicado em 18 de agosto de 2020

Condomínios residenciais adotam medidas para garantir segurança dos moradores

Obrigatoriedade de máscaras faciais, interdição de áreas comuns e suspensão de biometria fazem parte das medidas para garantir segurança.

Obrigatoriedade de máscaras faciais, interdição de áreas comuns e suspensão de biometria fazem parte das medidas adotadas por complexos residenciais, para garantir a segurança de centenas de moradores frente à pandemia do novo coronavírus

Condomínios residenciais adotam medidas para garantir segurança dos moradores

Desde a chegada do novo coronavírus ao Distrito Federal, a orientação de médicos, especialistas e organizações de saúde é a mesma: ficar em casa. Mas, como manter esse afastamento necessário quando o local onde se vive também é lar de outras centenas de pessoas? Na capital do país, muitos são os condomínios que combinam torres com diversos apartamentos em um mesmo andar. Na tentativa de combater o vírus e garantir a segurança dos moradores, as direções desses prédios têm apostado em protocolos como suspensão do uso de áreas comuns de lazer e obrigatoriedade de máscaras.

Em Águas Claras, no condomínio de duas torres em que vive o analista de sistemas Thiago Souza, 30 anos, as adaptações começaram assim que o governador Ibaneis Rocha publicou os primeiros decretos com medidas de prevenção, ainda em março. “Além de fechar as áreas comuns, mantendo aberta apenas a lavanderia, aumentaram a higienização dos espaços. Compraram equipamento de proteção para os funcionários, e suspenderam o acesso biométrico na portaria”, detalha.

Dos quatro elevadores, um ficou reservado para o uso de profissionais da saúde e pessoas com sintomas de covid-19. Todos foram programados para que, quando não estiverem em uso, fiquem no andar térreo de portas abertas, como forma de aumentar a circulação de ar ali. “Quando o GDF começou a autorizar a reabertura do comércio, a academia voltou a funcionar, mas com limite de pessoas e áreas demarcadas para distanciamento. Piscina, sauna e área de spa permanecem fechadas”, explica Thiago. Apenas as espreguiçadeiras foram dispostas atrás das churrasqueiras, para que os moradores possam tomar banho de sol. “Achei bem legal. Algumas pessoas reclamaram, mas, ainda assim, o respeito a essas mudanças, pensando na questão da saúde, prevaleceu, então foi tudo muito acertado”, avalia.

O síndico Thadeu Carvalho calcula que vivam cerca de 430 moradores no condomínio.

“Tem gente que acredita que estamos fazendo o melhor, e tem quem não goste de esperar pelo elevador. É uma realidade no Brasil, está tudo muito polarizado”, pondera. Quando alguém recebe diagnóstico positivo para coronavírus, ele pede que comunique à administração do condomínio. “Nesses casos, damos algumas orientações, como pedir que descartem o lixo em horários diferenciados, e, quando recebem entrega, nossa equipe da portaria leva o pacote até a porta, para que o indivíduo não precise circular no prédio.”

A advogada Ana Carolina Viana, 34, também moradora de Águas Claras, afirma que se sente segura com as adaptações feitas onde mora. “Aqui são três torres, cada uma com mais de 20 andares, é muita gente junto. Mas eu não tenho medo de pegar o vírus no prédio porque, além das medidas adotadas pelo condomínio, lá em casa todo mundo é muito cuidadoso”, garante.

Para ela, a adequação mais bem colocada foi quanto ao uso do elevador: apenas moradores da mesma unidade compartilham o espaço. Se mais alguém estiver dentro, a orientação é esperar o próximo. “Moro no décimo andar, então não tem a menor condição de ficar usando as escadas. Às vezes é preciso esperar muito, mas como tem muita gente de home office, acaba que não tem sido um problema constante, porque as pessoas não saem tanto de casa.”

Notificações

A obrigatoriedade do uso da máscara é uma constante nos condomínios. Quem não cumpre é notificado. Foi o que aconteceu com o bancário Eduardo Morato, 33, morador de um complexo no Park Sul. “Um dia, saí do carro sem máscara e entrei no elevador. Dias depois, recebi o aviso”, lembra. O deslize serviu de alerta para não repetir o erro. Além da vigilância, a gerência do prédio interditou piscina, academia e demais áreas coletivas. “Em geral, foram bem cuidadosos nesse processo de isolamento”, reconhece Eduardo.

“Essas mudanças eram necessárias. Como aqui tem bastante apartamento, liberar área comum significaria as pessoas saírem e, como não podem ir para a rua, aglomerariam em outros locais”, ressalta a esposa dele e também bancária, Mariana Rios. Recentemente, a academia foi liberada, com a condição de que os usuários agendem horário. O casal tem aproveitado o espaço, mas reclama que nem todos cumprem as determinações. “Infelizmente, nem todos estão respeitando”, lamenta.

A gerente do condomínio, Cristiane Frota, explica que acompanha o número de casos contaminados e os moradores são informados sobre o levantamento. Desde março foram 17 moradores com diagnóstico positivo, e dois colaboradores. Ao todo, são 410 apartamentos e cerca de 600 residentes no lugar. “Como somos administrados por uma rede de hotelaria, todos os funcionários foram treinados para se adaptar, e isso fez a diferença. O aprendizado tem sido dia após dia”, afirma. “Há uma pressão dos dois lados, tanto de quem quer reabertos os espaços comuns, como a piscina, quanto quem não quer. Então, fazemos assembleias por videochamada e vamos deixar por conta deles essa decisão.”

Cautela coletiva

Na Octogonal, as quadras fechadas funcionam como condomínio, com a diferença de que cada bloco tem o seu administrador. Jeferson Mário, 59, mora e é responsável por um dos edifícios da quadra 5 e conta que lá, o distanciamento é regra. Toda a vizinhança tem colaborado com as medidas de distanciamento, fazendo, inclusive, propostas. “Desde março, o salão de festas está fechado. Inicialmente, havia deixado em aberto, explicando que, se pudessem, deveriam evitar o aluguel. Mas recebi tantas recomendações pedindo para fechar, que resolvi atender”, afirma.

Os cinco blocos, cada um com uma média de 72 apartamentos, compartilham uma quadra poliesportiva e um parquinho infantil, ambos interditados durante a pandemia. “A gente percebe que cada um tem uma visão diferente a respeito do atual momento. Aquele que teve ente querido que foi vítima fica mais atento quanto ao coronavírus. Quem não teve nenhum parente atingido tem uma visão menos cautelosa”, acredita. “A gente tem que manter a cautela e prestar atenção ao outro, principalmente às pessoas de idade. Tem que dar uma atenção especial. O papel do síndico é se colocar para colaborar.”

 

 

Fonte: Correio Braziliense

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